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Transtorno Dismórfico Corporal: quando a preocupação com a aparência se transforma em sofriment

transtorno disfórmico corporal

Abaixo está uma versão completa para blog, com linguagem acessível, acolhedora e adequada ao posicionamento de uma médica psiquiatra.

 

É natural olhar no espelho e encontrar características que gostaríamos que fossem diferentes. Em alguns dias, podemos nos sentir mais satisfeitos com a nossa aparência; em outros, determinadas características podem nos incomodar.

Mas existe uma diferença importante entre uma insegurança ocasional e viver preso à preocupação com aquilo que você considera uma imperfeição.

Quando essa preocupação se torna persistente, provoca sofrimento significativo e começa a interferir na rotina, nos relacionamentos e na vida social, podemos estar diante do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).

Como psiquiatra, considero importante falar sobre esse transtorno porque ele ainda pode ser confundido com vaidade, baixa autoestima ou uma preocupação estética exagerada.

O sofrimento de quem vive com TDC, porém, é real e merece atenção.

 

O que é Transtorno Dismórfico Corporal?

O Transtorno Dismórfico Corporal é uma condição de saúde mental caracterizada por uma preocupação intensa com uma ou mais características percebidas na própria aparência.

Para outras pessoas, aquilo que incomoda pode parecer discreto ou até mesmo não ser perceptível. Para quem sofre com o transtorno, entretanto, essa característica pode assumir uma dimensão muito maior.

A pessoa pode passar muito tempo pensando sobre sua aparência e tentando verificar, esconder, comparar ou modificar aquilo que considera inadequado.

É justamente essa intensidade que diferencia o transtorno de uma insatisfação comum.

Não estamos falando simplesmente de alguém que gostaria de mudar o cabelo, o nariz, a pele ou alguma característica corporal.

Estamos falando de sofrimento psicológico.

 

Não é simplesmente vaidade

Esse é um dos pontos que considero mais importantes quando falamos sobre TDC.

A pessoa não escolhe simplesmente “pensar demais” sobre a aparência.

Ela pode realmente perceber determinada característica de maneira muito negativa e sentir vergonha, ansiedade, constrangimento ou medo de ser julgada pelas outras pessoas.

Por isso, frases como “ninguém percebe isso”, “você está exagerando” ou “é só parar de pensar nisso” geralmente não resolvem o problema.

A questão não está apenas na característica física.

Está também na maneira como a pessoa percebe, interpreta e se relaciona com a própria imagem.

 

Quais são os principais sinais?

O Transtorno Dismórfico Corporal pode se manifestar de diferentes maneiras.

Algumas pessoas passam muito tempo diante do espelho procurando defeitos. Outras fazem exatamente o contrário e evitam espelhos porque observar a própria imagem provoca sofrimento.

Também podem surgir comportamentos como:

• comparar frequentemente a própria aparência com a de outras pessoas;

• buscar repetidamente a opinião de amigos e familiares sobre determinada característica;

• tentar esconder partes do corpo com roupas, maquiagem, cabelo ou determinados ângulos;

• evitar fotografias ou vídeos;

• editar excessivamente imagens antes de publicá-las;

• sentir vergonha ou ansiedade em situações sociais;

• acreditar que outras pessoas estão observando ou julgando sua aparência;

• procurar repetidamente procedimentos dermatológicos, odontológicos, estéticos ou cirúrgicos na tentativa de corrigir aquilo que incomoda.

Um comportamento isolado não significa necessariamente que exista um transtorno.

O que precisa ser observado é a intensidade, a frequência e, principalmente, o impacto que essa preocupação provoca na vida da pessoa.

 

Redes sociais podem intensificar a comparação?

Vivemos em uma época em que somos constantemente expostos a imagens cuidadosamente selecionadas, editadas e filtradas.

Além disso, muitas redes sociais favorecem comparações.

O problema é que frequentemente comparamos nossa vida cotidiana e nossa aparência real com uma imagem construída para ser apresentada ao público.

Filtros, iluminação, maquiagem, edição, poses e até recursos de inteligência artificial podem modificar significativamente uma fotografia.

Para alguém que já apresenta uma relação difícil com a própria imagem, esse ambiente pode intensificar preocupações e comportamentos de comparação.

Isso não significa que as redes sociais sejam a causa única do TDC. O transtorno é mais complexo e pode envolver diferentes fatores psicológicos, biológicos e ambientais.

Entretanto, compreender como determinados conteúdos afetam emocionalmente cada pessoa pode fazer parte do cuidado.

 

 
 
 
 
 
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Um post compartilhado por Dra. Vanessa de Abreu | Psiquiatra em Itajaí e BC (@vanessa.psiquiatra)

 

Quando procedimentos estéticos não resolvem a angústia

Existe outro aspecto delicado que merece atenção.

Algumas pessoas com sintomas de dismorfia corporal procuram sucessivos procedimentos estéticos acreditando que, quando determinada característica for modificada, finalmente conseguirão se sentir bem.

O procedimento pode até modificar aquela característica física.

Mas nem sempre modifica o sofrimento.

Em alguns casos, depois de uma intervenção, a preocupação permanece, retorna ou passa a se concentrar em outra parte da aparência.

Por isso, quando existe uma preocupação desproporcional e persistente com a imagem corporal, pode ser importante avaliar também a saúde mental antes de continuar buscando novas mudanças estéticas.

Às vezes, a pessoa está tentando corrigir no corpo um sofrimento que precisa ser compreendido também emocionalmente.

 

TDC e outros transtornos mentais

O Transtorno Dismórfico Corporal pode aparecer associado a outras condições de saúde mental.

Sintomas de ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo, por exemplo, podem coexistir e precisam ser avaliados individualmente.

Essa associação reforça a importância de uma avaliação adequada.

O diagnóstico não deve ser realizado apenas pela identificação de um comportamento ou por testes encontrados na internet.

Na psiquiatria, precisamos compreender a história daquela pessoa, a intensidade dos sintomas, há quanto tempo estão presentes e quanto estão interferindo em sua vida.

 

Existe tratamento para o Transtorno Dismórfico Corporal?

Sim.

O tratamento deve ser individualizado e definido após uma avaliação profissional.

A psicoterapia possui um papel importante, especialmente abordagens estruturadas que trabalham pensamentos, comportamentos e padrões relacionados à percepção da própria aparência.

Em determinados casos, o tratamento psiquiátrico também pode envolver medicamentos, considerando os sintomas apresentados, sua intensidade, outras condições associadas e as características individuais de cada paciente.

Não existe uma única estratégia adequada para todas as pessoas.

Por isso, evite utilizar medicamentos por conta própria ou reproduzir o tratamento de alguém conhecido. O que funciona para uma pessoa não necessariamente será adequado para outra.

 

Quando procurar ajuda?

Um bom ponto de partida é observar quanto espaço a preocupação com a aparência está ocupando na sua vida.

Você deixou de frequentar determinados lugares por vergonha da aparência?

Evita fotografias ou situações sociais?

Passa muito tempo analisando características do próprio corpo?

Sente necessidade constante de comparar sua aparência com outras pessoas?

Já realizou ou pensa frequentemente em realizar procedimentos para tentar aliviar essa angústia?

Essa preocupação interfere nos seus estudos, trabalho, relacionamentos ou qualidade de vida?

Quando a aparência deixa de ser apenas uma preocupação e começa a limitar a vida, vale procurar uma avaliação profissional.

 

Você é muito mais do que aquilo que vê no espelho

Eu acredito que falar sobre Transtorno Dismórfico Corporal também é falar sobre acolhimento.

Nem sempre conseguimos enxergar a nós mesmos da mesma maneira que as outras pessoas nos enxergam.

E dizer simplesmente “você precisa se aceitar” pode parecer fácil para quem está do lado de fora.

Para quem está sofrendo, esse processo pode exigir tempo, compreensão e tratamento.

O objetivo não é convencer alguém de que precisa gostar de cada detalhe da própria aparência.

É ajudá-lo a construir uma relação mais saudável consigo mesmo, na qual uma característica física não determine seu valor, seus relacionamentos ou sua liberdade de viver.

🧠 Se a preocupação com a sua aparência tem provocado sofrimento ou limitado sua rotina, considere conversar com um profissional de saúde mental.

Buscar ajuda também é uma forma de cuidado. 🤍

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